Eu queria inspiração e suavidade. Bastaria pra uma vida plena e feliz. Sem paixonites, sem aventuras, sem noites em claro, sem expectativa, sem ligações de madrugada, sem olheiras, sem ansiedade.
Aí surge ele, o primeiro cara que eu dispenso e em uma fração de segundos caio em mim: "peraí, não é que ele é tudo que eu quero!". E tento concertar o equívoco com palavras tortas, com a primeira coisa que encontro a frente: "vamos lá! vamos comer que é disso que precisamos." (perdoem o trocadilho). Minha amiga alerta: educado demais, aí tem. E tinha, em três horas de conversa ele debulha tudo: perdeu o pai em um acidente de trânsito, mora sozinho e é empresário. Paro um minuto, fecho os olhos e penso: é meu número! Então volto em si e percebo que ele me olha com uns olhos muito verdes de quem sabe onde quer chegar e chega. Fatal, o tipo certo de cara errado. Ele não me liga, ele não me procura, quando eu penso que está tudo bem, me surpreende na porta de casa com uma caixa de chocolates. Eu pergunto: que diabos esse cara quer? E eu mesma respondo: Ele quer mais, ele quer ir além, ele quer conseguir tocar onde nenhum tocou e nem sabe disso, mas eu sei, aqueles olhos verdes já me disseram tudo, desde o primeiro momento.
Desço do carro, abro o portão, olho pra trás e desejo: "vai, mas não volta, que eu preciso sofrer pra dar valor, que eu preciso correr atrás pra perceber que é um homem e não um rato, que eu preciso ser pisada pra lembrar como é sentir que o mundo não está nas minhas mãos".
Parece masoquismo eu sei, mas é meu jeito de sentir viva. E a coisa é simples: não estou dando valor a quem me faz sofrer, estou é agradecendo quem me ensina a ser mais humilde através da dor.
Aí surge ele, o primeiro cara que eu dispenso e em uma fração de segundos caio em mim: "peraí, não é que ele é tudo que eu quero!". E tento concertar o equívoco com palavras tortas, com a primeira coisa que encontro a frente: "vamos lá! vamos comer que é disso que precisamos." (perdoem o trocadilho). Minha amiga alerta: educado demais, aí tem. E tinha, em três horas de conversa ele debulha tudo: perdeu o pai em um acidente de trânsito, mora sozinho e é empresário. Paro um minuto, fecho os olhos e penso: é meu número! Então volto em si e percebo que ele me olha com uns olhos muito verdes de quem sabe onde quer chegar e chega. Fatal, o tipo certo de cara errado. Ele não me liga, ele não me procura, quando eu penso que está tudo bem, me surpreende na porta de casa com uma caixa de chocolates. Eu pergunto: que diabos esse cara quer? E eu mesma respondo: Ele quer mais, ele quer ir além, ele quer conseguir tocar onde nenhum tocou e nem sabe disso, mas eu sei, aqueles olhos verdes já me disseram tudo, desde o primeiro momento.
Desço do carro, abro o portão, olho pra trás e desejo: "vai, mas não volta, que eu preciso sofrer pra dar valor, que eu preciso correr atrás pra perceber que é um homem e não um rato, que eu preciso ser pisada pra lembrar como é sentir que o mundo não está nas minhas mãos".
Parece masoquismo eu sei, mas é meu jeito de sentir viva. E a coisa é simples: não estou dando valor a quem me faz sofrer, estou é agradecendo quem me ensina a ser mais humilde através da dor.

lindos textos, gostei muito, tô seguindo, segue de volta.
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